Crónicas de una conquista al revés http://bethaniaguerra.nireblog.com "Fragmentos de una carioca en Madrid" Wed, 20 Aug 2008 15:10:35 +0100 Crónicas de una conquista al revés http://bethaniaguerra.nireblog.com/blogs/bethaniaguerra/gravatar.gif http://bethaniaguerra.nireblog.com http://nireblog.com Noticias 2 http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/05/29/noticias-2 http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/05/29/noticias-2    

     Provenientes da Costa do Marfim, 26 africanos esperam neste momento uma permissão do governo espanhol para sair do mar. A patera na qual viajavam naufragou no Mediterrâneo,  entre Malta e Líbia,  e nem um nem outro país permitiu que as pessoas desembarcassem em seus portos.  Malta é o porto mais próximo da União Européia e a Libia é  país responsável pelo salvamento e pelo resgate naquelas águas."São obvios imigrantes ilegais, sem papéis", é o motivo.   

       A situação é surreal.

 Os africanos levavam já 3 dias no mar, correndo o risco de afogamento. No primeiro dia comeram maçãs, e depois nada mais.   No sábado passado pela manhã marinheiros espanhóis os resgataram, mas há três dias esperam o aviso do governo, pois sem ele não podem trazê-los à terra. Os marinheiros usaram uma rede gigantesca, empregada nas grandes pescas de atum (pois nos barcos não havia lugar para todos). Esperam  no meio da água, estes indesejados também por outros países europeus, seu platônico destino.

   É tudo muito triste. Na sexta-feira os náufragos tentaram que os marinheiros os levassem, mas estes, que estavam trabalhando e não tinham espaço suficiente para tantas pessoas, a princípio se negaram, mas pensaram que de desssem ajuda os africanos poderiam continuar a viagem em seu próprio barco, ofereceram  então maçãs, água e gasolina. Mas os imigrantes continuaram por perto. Na manhã do dia seguinte os marinheiros descubriram que a patera já havia afundado, e que os africanos não tinha dito nada talvez por um misto de motivos, medo, vergonha, pavor. Foi então quando decidiram resgatá-los.

     Este tipo de situação não é nova, no mês passado outro caso similar ocorreu e italianos prestaram ajuda a outros náufragos africanos, também da Costa do Marfim. Mas o auxílio continuará sendo somente deste tipo? O ministro do interior maltês diz que "faz muito mais do que deveria". Será mesmo? A responsabilidade não é deles? Discordo. Todos somos reponsáveis, sem exceção. Se nosso sitema de mundo, de economia, de coisas, chegou a este ponto, tudo está MUITO ERRADO.

 Não se pensará seriamente sobre isso?

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Tue, 29 May 2007 14:54:33 +0100
Crônica de uma viagem encantada (fragmentos) http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/05/25/cronica-de-uma-viagem-encantada-fragmentos http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/05/25/cronica-de-uma-viagem-encantada-fragmentos  

 

Domingo, 12 de maio de 2007. 

Saints-Maries-de-la-Mer recebeu-nos com vento. Muito vento. Parecia cena de filme ou de novela. Era tanto vento que nos empurrava para um lado e para outro. Achamos logo o hotel, estava do lado de um circo, que estavam ainda montando, talvez o vento tenha atrapalhado a montagem, e tinham parado. Deixamos o carro perto e entramos. A cidade estava vazia. Provavelmente nos dias das procissões, 24 e 25 deve haver muita gente e no verão muitos turistas, mas naquele dia estava vazia, vazia, como encantada.

Fomos passear pela cidade. É um povoado, pequeno e branco. Muitos aspectos indicavam que as Santas Marias são realmente o centro da vida do local. Um loja se chamava: “Lês bijoux de Sarah”, outra “Maria, Maria”, de roupas. Em todos os resataurantes serviam paella, prova de que a cultura espanhola ali se mistura com a local. Vi muitos cartazes de touradas ( sim, eles fazer touradas lá.) e das procissões dos dias 24 e 25. E finalmente vi a Igreja, estava fechada. É uma fortaleza por fora, nem parece igreja, tem jeito de muralha, de forte protetor. Mas não é isso também o que ela representa?...

Fiz fotos na Praça dos ciganos e das muitas e lindas flores que havia. Mas como não podíamos entrar fomos ver o mar.  E o mediterrâneo, que costuma ser um mar tranqüilo, tinha ares de atlântico naquela tarde, que ondas, que força, que vento!!! Não resisti e fui lá, saudar Sarah e Iemanjá. Que emoção! O vento junto com as águas, levaram um dos meus brincos (que era uma argola), e, bem, se ele levou um eu dei o outro. Foi minha primeira oferenda naquele lugar sagrado.

 

Segunda, 12 de maio.

Dia da visita à igreja. Eu estava muito eufórica e emocionada ao mesmo tempo. A cidade deserta do dia anterior parecia outra. Já não fazia tanto vento, havia um pouco de sol e turistas. Vi alguns velhos e velhas ciganos ( como eu sei que eram? Só faltava escrever na testa, toda uma forma de vestir, de olhar, de falar, de comportar-se) e muita alegria nas ruas.  A porta de entrada era a mesma pequenina que eu havia visto antes, mas dentro a igreja é gigantesca. Não me continha de felicidade por ter chegado até ali.Queria ver cada detalhe, absorver toda a energia que os Deuses me presenteassem. Estava muito escuro, e a luz era pouquinha. Não sabia se deveria fazer fotos ou não. Eu não podia mesmo me concentrar nas fotos, naquele momento isso não era importante.

Vi a imagem dos barcos das Santas Marias. ( e que não inclui Magdalena, como eu pensava. Pelo menos a igreja é dedicada só à Maria Jacobé, Maria Salomé e Sara, na cripta). Vi os ex-votos tão antigos quando a igreja, em uma vitrine no alto. Uma boneca representando Sara, vestida de cigana calón, com roupa vermelha, muito flamenca! Vi o altar e abaixo... a entrada da cripta. Um misto de sentimentos me invadiu. Ao mesmo tempo que queria sair correndo e entrar, queria saborear e que aquela magia não terminasse.

Então bem devagarzinho fui caminhando, desci as escadas, e vi a imagem, grande, imponente, maternal. Havia outras pessoas, umas rezando, outras observando, mas todas com muito respeito. Eu não tinha planejado o que fazer quando chegasse ali, se acenderia a vela primeiro, onde colocaria os lenços, se leria as cartas antes ou depois. Deixei que minha intuição me levasse. Ajoelhei-me aos pés de Sara e comecei a chorar.  Chorei muito e por um bom tempo, não sei dizer quanto. E agora, contando, tenho vontade de chorar novamente. O choro era bom, de alívio, de agradecimento, de alegria. Acho que se tivesse levantado e ido embora já teria cumprido minha missão ali. Mas quis fazer tudo, e aproveitar essa oportunidade.  

Fiz uma oração, e levantei-me para entregar os três lenços. Vi que ela estava coberta por camadas e camadas de mantos, véus e lenços. Então coloquei um por um os que havia trazido, em volta dela, e depois beijei seus cabelos. Também coloquei o colarzinho que  a Dinha fez, em volta de cruz cheia de cristais, que ela tem no pescoço, e uma flor ( artificial, todas as flores eram artificiais, não sei por quê) aos pés dela.

Então aos seus pés li as cartinhas, uma por uma,  pensando em como fariam se estivessem ali e fui colocando-as do lado direito da imagem, ao lado da flor. Pensei na fé de cada uma. A fé dedicada, de doação ao próximo e sacrifício da minha mãe Vera. A fé de confiança eterna e cumplicidade fraterna com o divino da Dinha. A fé de comunhão, eclética, sabia e abrangente da Di. A fé alegre, íntima, para quem o contato com a divindade é sempre uma celebração, da Lísia. A fé inteira, incondicional, poderosa, transformadora e milagrosa da Val. A fé mediúnica, de entrega e construção da Jacque. A fé renovadora e pessoal da Mari.  A fé constante, compenetrada e profunda da Mônica.

Levantei-me novamente e  acendi uma vela azul e três incensos. Estar ali era uma benção. Assombrei-me quando ao rezar, ao ler, ao conversar com a Santa, parecia ver um sorriso em seus lábios. Seu rosto negro me sorria, suas mãos de mãe amorosa pousavam sobre minha cabeça, sobre as cartas, nos abençoando, sem dúvida.



Na volta subimos no telhado, por 2 euros pode-se ter a vista belíssima da cidade com o mar como fronteira. Pensávamos passar por outras cidades, Avignon, Montpellier, mas caiu uma chuva torrencial e voltamos à Espanha. Era ela dizendo: você veio  a minha casa e já cumpriu a missão...

 

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Fri, 25 May 2007 09:35:15 +0100
Sara http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/05/08/sara http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/05/08/sara Santa Sara na Camargue    Ela é mesmo cheia de magia, cheia de mistério. Ela me leva nos braços até sua casa, onde recebe os que até lá caminham para agradecer, louvar, sorrir e levar lindos mantos.

   Ela abre as estradas e realiza milagres. Ela traz amores, paz, saúde, dança, música, sabedoria e fé. Ela é Sara, ela é de todos os ciganos andarilhos deste mundo.

Gitana na Gruta de Ipanema

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Tue, 08 May 2007 18:44:01 +0100
Noticias http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/05/01/noticias http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/05/01/noticias     Hoje estava comentando com o Juan sobre a falta de conhecimento que em verdade paira sobre nós no país continente chamado Brasil. Excetuando uns poucos escolhidos, que por terem batalhado muito conseguiram fazer uma universidade, que pensam sobre o situação social mundial (?) que tem preocupações políticas, que lêem, que têm acesso à internet, que tem grupos de amigos que discutem temas relevantes, tirando estes grupos, que são poucos realmente (e que não necessariamente possuem todas estas "qualidades”),a grande maioria do povo brasileiro não sabe o que acontece no mundo. 

    As notícias não chegam no Brasil. Infelizmente não é exagero. Não sabemos o que ocorre no Oriente Médio ( que aqui é Oriente Próximo...), não sabemos que a cada dia a história dos navios negreiros se repete uma ...

 ... e outra vez nas costas Canárias. Não sabemos o que é um cayuco, uma patera. Quem são os Latin Kings? Infelizmente não é uma banda de salsa. Mas como saber, se também não nos chegam as notícias da imigração massiva de equatorianos rumo às terras peninsulares, se não sabemos que na Colômbia as agências de viagem incluem, falsamente, em suas promoções, uma nova passagem de tentativa se te deportam no aeroporto de Madrid.

    Os cayucos, caros compatriotas, são a versão moderna do que cantou Castro Alves e dezenas de africanos morrem todos os meses tentando chegar à Europa, os Latin Kings são grupos de jovens latinos que organizam sua delinqüência desesperada numa luta identitária violenta, torta e capenga.

    Mas se não sabemos (e me incluo porque apesar de estar aqui e de “saber”, essa condição sempre será efêmera, mas minha brasilidade e  o problema de que falo são constantes), é porque não nos dizem, porque nossos telejornais não dedicam nem um terço do seu tempo às questões internacionais, e nem sequer sabemos o que acontece nos países vizinhos.

    Talvez também não saibamos porque não procuremos saber, porque nos acomodamos sendo essa minoria privilegiada e discutindo nossas intelectualidades no Amarelinho. Ou porque nos organizamos em partidos políticos utópicos e fazemos uma luta ineficaz, porque nos acostumamos a ver as crianças nas ruas e a saber que elas jamais farão parte desta elite do pensamento. Porque escrevemos nossas teses e depois as colocamos na estante. E me incluo, te incluo. É barra. Não sei qual é o caminho, mas hoje, pensando nisso, muitos atos nossos pareceram-me inércia.

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Tue, 01 May 2007 19:25:38 +0100
La resistencia http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/04/16/la-resistencia http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/04/16/la-resistencia     Hago un alto en mis estudios para la tesis y copio aquí un fragmento de este libro que no me cansaría nunca de leer y releer:La mujer habitada, de Gioconda Belli.
   La voz es de Itzá, guerrera nahua, del territorio que hoy llamamos Nicaragua. Itzá vivió la conquista española y en el tiempo presente de la novela dá nueva vida y conciencia a un árbol, con su espíritu inmortal:

Los españoles decían haber descubierto un nuevo mundo. Pero nuestro mundo no era nuevo para nosotros. Muchas generaciones habían florecido en estas tierras desde que nuestros antepasados, adoradores de Tamagastad y Cippatoval, se asentaron....

  Éramos nahuatls, pero hablábamos también chorotego y la lengua niquirana; sabíamos medir el movimiento de los astros, escribir sobre tiras de cuero de venado; cultivábamos la tierra, vivíamos en grandes asentamientos a la orilla de los lagos; cazábamos, hilábamos, teníamos escuelas y fiestas sagradas. ¿Quién podrá saber cómo sería ahora todo este territorio si no se hubiera dado muerte a chorotegas, caribes, dinones, niquiranos... ? Los españoles decían que debían "civilizarnos", hacernos abandonar la "barbarie". Pero ellos, con barbarie nos dominaron, nos despoblaron. En pocos años hicieron más sacrificios humanos de los que jamás hiciéramos nosotros en la historia de nuestras festividades. Este país era el más poblado. Y, sin embargo, en los veinte y cinco años que viví, se fue quedando sin hombres; los mandaron en grandes barcos a construir una lejana ciudad que llamaban Lima; los mataron, los perros los despedazaron, los colgaron de los árboles, les cortaron la cabeza, los fusilaron, los bautizaron, prostituyeron a nuestras mujeres. Nos trajeron un dios extraño que no conocía nuestra historia, nuestros orígenes y quería que lo adoráramos como nosotros no sabíamos hacerlo. ¿Y de todo eso, qué de bueno quedó?, me pregunto. Los hombres siguen huyendo. Hay gobernantes sanguinarios. Las carnes no dejan de ser desgarradas, se continúa guerreando. Nuestra herencia de tambores batientes ha de continuar latiendo en la sangre de estas generaciones. Es lo único de nosotros, Yarince, que permaneció: la resistencia.

p. 47

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Mon, 16 Apr 2007 23:12:37 +0100
Totocas http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/27/totocas http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/27/totocas Echar de menos, sentir nostalgia, extrañar, tantas expresiones pero ninguna puede tanto como "saudade", y quizás hoy, como en tantos otros días, lo que sienta sea eso que sólo la palabra lusa y nuestra puede expresar. Saudade de unos ciertos totocas, que entraron en mi vida pero siento como si siempre hubiesen estado allí. Tres alumnos que se conviertieron en amigos íntimos,dulces, directos, y crueles si hace falta. Pero siempre verdaderos. Siempre enteros, como tiene que ser. Me hacen mucha falta. Me hace falta el cariño, las tonterías, las charlas serias y los problemas resueltos juntos, las lágrimas de aeropuerto. Las mañanas o tardes de enseñanzas en las que yo aprendía tanto de ellos. Los paseos culturales o las comidas divertidas.
Pri, Diogo, y Antonia. Un beso en vuestros corazones.
P.S.: Enviadme una foto nuestra!! No consigo abrir las que traje...

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Tue, 27 Mar 2007 20:17:14 +0100
Frodo, Frida e Morg, gatos do mato. http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/27/frodo-frida-e-morg-gatos-do-mato http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/27/frodo-frida-e-morg-gatos-do-mato Frodico Querido Frodo: a presença dos gatos na vida de nossa família é tão antiga que se perde no tempo. Mas acho que foi quando minha mãe, já adulta e casada, se viu com um gatinho em casa e, em meio ao medo ainda infantil, mas plenamente justificado (porque meu avô não era lá muito cortês com os da tua espécie) e os impulsos do seu imenso coração, rendeu-se aos segundos (como sempre o faz) e vocês entraram, para não sair jamais.

Foram gatos limpos, pulguentos, astutos, medrosos, bonitos, bem feios, fêmeas, machos, sadios e doentes. Tivemos gatos com nome de presidente da república (sua mãe lembrará do Sarneizinho ou Sarneirinho), gatos com medo de cinzeiro de cabeça para baixo, gatos que se enconderam na geleira, no forno, gatos que roubavam peru de natal, gatas melhores amigas de cachorros (Mel e Bob), gatos que morreram tristemente, ou desapareceram simplesmente, deixando um vazio imenso.
Os felinos da vez são igualmente mágicos e especiais. Morgana é bruxa, você é mago e Frida é uma famosa escritora. Os da Penha são loucos e selvagens, não negam a raça. Mas vocês são, todos, indispensáveis e insubstituíveis.
Você chegou do mato, como sua irmã e sua prima. Os dois últimos do mesmo matinho, verdade seja dita, mas muito diferentes. A segunda veio escolarizada, mas esqueceu tudo depois, porque o que ela quer na vida é dormir. Frodo pode ser doce e cruel ao mesmo tempo, ocupa espaço, é fascinante, belo, magistral, como sua mãe. Às vezes fica parado muito tempo, observando-nos, e se quer ficar só, some estratégicamente e aparece quando quer, como seu inteligente e lutador pai.
Frida é toda amor, pode-se fazer o que for com ela, mas não a obrigue, não a force, não a maltrate. Frodo é seu defensor e seu amigo, dormem juntos e alegram a vida dos que souberam respeitar a presença e a sabedoria destes linces caseiros.

Com amor,
Be.
P.S.: Não tinha posto o texto antes porque não conseguia inserir nenhuma foto de vocês. E Zoe é uma gata.

Essa música é para a sua mãe:

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Tue, 27 Mar 2007 17:05:00 +0100
Orígenes http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/19/origenes http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/19/origenes eu e mãeMãe. Amor mútuo,infinito, incondicional, inteiro. Vera é a verdadeira luz me guia...

eu e pai Pai. Negro da noite, da vida, tabuleiro de xadrez negrusco, meu caminho de luz!

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Mon, 19 Mar 2007 21:27:47 +0100
Heróis... http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/19/herois http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/19/herois Essa apresentação foi enviada pela minha amiga Giane, professora da Universidade Federal Rural, no Rio de Janeiro, mulher de fibra, comprometida com os problemas do nosso tempo. (Saudades, Gi...)
O texto escrito e as imagens discutem o conceito de "herói" na nossa sociedade e propõe uma reflexão menos fútil e vazia do que a que nos oferecem os meios televisivos... Vale a pena assistir.


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Mon, 19 Mar 2007 15:21:49 +0100
Amigos... http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/15/amigos http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/15/amigos Irmãos com narguileRoubei essa foto do álbum da Lisia ou da Mari ( não lembro). Só para falar da saudade que dá... Amo vocês. A imagem é muito doce, e de que era essa shisha, hein????

Dinha e Eu
Sem palavras para descrever o que aperta o peito quando nossa outra metade não está. Nada disso de alma gêmea masculina. Alma gêmea mesmo é irmã.

amigos4 Irmã de muitas vidas e o pai do menino mais lindo do mundo.

amigos2
Os amigos mais loucos da Terra!

amigos1 Amigo irmão e irmã amiga.

Super Genias

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Thu, 15 Mar 2007 09:48:41 +0100
Purificar http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/13/purificar http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/13/purificar

"Purificar o Subaé, mandar os bandidos embora..."

Vamos purificar São Paulo também, por favor!!!

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13/03/2007 - 10h57
Povo maia purifica terra sagrada visitada por Bush

Publicidade da Ansa, em Roma

Os maias da Guatemala decidiram "purificar" seu lugar histórico na cidade de Iximche. A purificação foi feita depois da visita do presidente norte-americano, George W. Bush, ontem, em companhia do chefe do Executivo guatemalteco, Oscar Berger.

Uma líder dos maias, entrevistada pelo jornal italiano "La Repubblica", afirma que "a visita de Bush a este lugar é uma provocação para o povo maia.

"[Eles] quiseram transformar um lugar sagrado de nossa cultura e identidade em um "show" folclórico para diverti-lo e a seus acompanhantes", disse o líder.

Para apagar a "afronta", os maias irão celebrar uma cerimônia de purificação envolvendo seus sacerdotes. Eles estão convencidos de que o presidente dos EUA "leva consigo vibrações negativas que obrigam a limpar muito bem os lugares que ele visitou".

De acordo com o jornal italiano, a idéia de purificar o lugar partiu de Juan Tiney, diretor de uma ONG maia vinculado aos líderes religiosos da antiga civilização.

Tiney considera que a visita de Bush é uma "ofensa ao povo maia e à nossa cultura, porque ele persegue nossos irmãos imigrantes que estão nos Estados Unidos.

Além disso, segundo ele, Bush fez "muitas guerras sangrentas em todo o mundo" e tem a ousadia de caminhar "pelas terras sagradas".

Fonte: Folha online
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u105434.shtml

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Tue, 13 Mar 2007 16:18:37 +0100
Imagens da saudade. http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/12/imagens-da-saudade http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/12/imagens-da-saudade Imagens belíssimas de algumas cidades do nosso Brasil. A apresentação me foi enviada pela Didi, uma amiga querida aqui de Madrid. Confesso que ao chegar às fotos do Rio não deu para conter as lágrimas. Que linda é a minha cidade, e que saudade...

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Mon, 12 Mar 2007 12:51:26 +0100
Passeata? http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/27/passeata http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/27/passeata untitled.bmp Hoy he visto una manifestación muy rara. De un partido de derecha. No señores, no he enloquecido. Tenía mucha curiosidad por verla, y he ido al centro de la ciudad. Estaba curiosa por ver como se manifestaba la gente, como salía a las calles, qué decía, qué motivos les llevaban. Hubiera deseado que la primera manisfestación que vieran mis ojos en esta tierra fuera de izquierda, de alguna izquierda de verdad, seria, pero, desgraciadamente, hasta hoy no he podido ser testigo de ninguna en España.

Sin embargo la gente “del PP” estaba allí, en masa. Vale, decir masa, ya saben ustedes, señores, es decir también un cierto “oba oba”. Había abuelas, vecinas, niños, no necesariamente en ese orden. Gente gritando aislada y extrañamente “viva España” (?). Había una bandera del bando esclavista en la guerra de secesión estadounidense (?????), sí, la había. ¿Qué hacía allí? Quizás el que la portaba defienda que se hagan esclavos a los inmigrantes ilegales, qué se yo...

Pero había también mucha gente preocupada, gente dolida, gente seria. Había gente a la que le da miedo coger los trenes, a la que le indigna una capitulación del gobierno. (Lo que pasa es que no sé si es capitulación, no sé si no hay por detrás alguna estrategia política que desconocemos, de verdad no lo sé).

Dudé si ir hasta el último momento, pero terminé yendo, no por inercia, sino por la curiosidad ya comentada y también por un deseo de transformar la experiencia en algo productivo, y porque creo que en verdad sólo se conoce algo cuando se vive a fondo la realidad de ese algo, ¿no? Aunque no se esté de acuerdo (;-) En el metro me llamó la atención la tranquilidad, ¿dónde estaban las palabras de orden, las músicas, los insultos quizás? En la concentración mucha, mucha gente, llevaba la bandera de España (y todas sus variantes). Banderas con toro en medio, con escudo, sin escudo, con lemas, sin lemas, (pero al final ¿cómo era esa bandera?). La bandera se había convertido en el símbolo de amor a la patria (vale...) y en contra del gobierno ( ¿?). ¿El gobierno ya no representaba la bandera o la bandera al gobierno?, o viceversa... Complicado...

Bueno, siguiendo con mis impresiones. Qué saudade de las paseatas, de las manifestaciones de la extrema (¿) izquierda de la que yo formaba parte. Sí, las he echado de menos, y a los camaradas compartiendo el pan en mitad de la tarde, de nuestras palabras de orden tan valientes, de los enfrentamientos llenos de convicción,(no dejé todo eso porque estoy aquí, los que me conocen lo saben, otros motivos, divergencias, me llevaron a pensar que los métodos del partido no eran tan correctos como creía, pero eso ya es otra historia). Lo que he echado de menos ha sido la ilusión, la pasión, la ingenuidad quizás, el calor de los cuerpos en plena lucha ideológica en la Rio Branco.

Aquí el gran personaje, el presidente del PP, entra al escenario con música triunfante de pop star y desfila su demagogia con el mejor estilo PDT... (sí, porque el PP de aquí es un hermano del PDT en Brasil – y no del PT – pero sin el carisma de Brizola, que era diez mil veces mejor y más sincero que Rajoy). La gente cree que la salvación del terrorismo está en él, y muy probablemente le haga ganar las próximas elecciones. ¿Qué pasará si ese partido, tan “popular” defrauda a esa gente? Porque la política es así, señores, es rara, y sigue sólo sus propias leyes.

Lo cierto es que no se puede ignorar una manifestación tan masiva, y el gobierno tendría que responder por lo menos. Hay un descontento muy fuerte, algo va mal, está claro. De todas formas, el método de las protestas de la derecha a mí me suena muy extraño.
De positivo queda lo que debemos aprender del pueblo español: que salir a las calles es preciso. Pero... es preciso saber salir por muchos otros motivos, no solamente cuando un gran partido convoca. Hay que salir por los sueldos, por la corrupción, por el agua, por el mejor trato a la cuestión de la inmigración (por esto no sé si “la gente del PP saldría”...) etc.

Bueno, pero hay que salir. Hay que aprender de los españoles, de los argentinos (quienes ya lo sabían mucho antes de que los españoles despertaran). Porque en eso nos quedamos muy atrás, nos movilizamos muy poco, los brasileños. Felizmente supimos responder a la reciente visita de Bu$h. Quién pudiera estar en Sampa para tirarle alguna piedrecilla al c. este...

Madrid, 10 de marzo de 2007

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Tue, 27 Mar 2007 17:26:46 +0100
Gatos http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/09/gatos http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/09/gatos Morgana durmiendoMi fascinación por los gatos es de todos conocida. Tener aquí a Morgana es fundamental para que mis días sean completos. Los gatos son tan especialmente únicos y tan antipáticamente suyos, que no es posible imponerles ningún tipo de comportamiento que no les parezca aceptable. Vienen cuando les conviene y van cuando les place.

Te ofrecen la barriga peluda para que la acaricies pero te muerden sin ningún problema de conciencia si se cansan del amor. Son fascinantes.
Hace poco he conocido a otra gata, especial y diferente. Zoe, la gata de Su y Chris, parece una persona, casi habla con sus ojitos tan expresivos y sus maullidos extrañamente profundos. Te abraza con las patitas gordas y suaves y la tienes que llevar como niña mimada por la casa. No es posible negarle nada.

Hay que aprender mucho de los felinos...

Madrid, 9 de marzo de 2007

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Fri, 09 Mar 2007 11:37:38 +0100
De Juana http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/08/de-juana http://bethaniaguerra.nireblog.com/post/2007/03/08/de-juana

juana-200x160.jpgDemorei em começar essa nova aventura mas estar longe da terra da gente gera uma necessidade de comunicação incontrolável, e acredito que os meios informáticos podem favorecer a profusão de idéias. O tema de hoje, o primeiro deste blog não poderia ser outro: política. Por quê não podia ser outro? Porque a política sempre fez parte de mim, e ultimamente minha relação com os fatos sociais do lugar onde estou vivendo estava sendo deixada um tanto de lado, não que meus pensamentos ou sentimentos sobre o aspecto sejam superficiais, mas não estava atuando sobre eles. E isso é ruim. Ruim porque creio que neste mundo de hoje (e no de todas as épocas) não podemos dar-nos ao luxo de ficar "em cima do muro", especialmente quando o meio que te rodeia ferve de problemas sociais. E a palavra, essa deusa profana de textos imemoriais, é, sim, um meio de saltar a lama da inércia.

Na semana passada o preso Iñaki de Juana Chaos, membro da organização ETA, foi liberado do sistema de prisão que cumpria e “agraciado” com uma pena mais leve, em outras condições, especialmente para zelar por sua saúde, já que o cidadão (?) havia decido fazer greve de fome.
Bem, as perguntas que te bombardeiam sempre que você tem uma atitude reflexiva sobre o tema são as mesmas. Mas senhores, por dios, não se trata de ser a favor ou contra a escarcelación do etarra. O buraco é bem mais em baixo...
O problema não está na decisão do governo “socialista” (até porque de socialista não tem nada), nem na bondade dos escoteiros do PP (até porque de bonzinhos eles têm menos ainda). As questões são mais profundas e ninguém se dispõem a colocá-las na mesa. Nem uns, nem outros, (a divisão partidária no poder espanhol é muito estranha, e, no fundo resume-se a “uns e outros” realmente, o que é, também, muito ruim).
O problema do governo está na sua estruturação, e no caráter do partido principal, que não é nem de longe, socialista, como dissemos, mas isso é tema para outro texto. O problema do terrorismo é histórico, social, organizacional, político, identitário, e profundo, sobretudo! Não se resolve com medidas penitenciárias, sejam elas quais forem. Desculpe dizer, mas negociar com ETA não resolve. Desculpe dizer também que caçá-los, igualmente, não resolve. Mas então, tem jeito? Não sei, talvez. Mas não passa por esse sistema de coisas. Não passa por esse sistema de governo, e, sobretudo, por esta estrutura de país.
Não dá para manter uma monarquia como a espanhola em pleno século XXI. Quem engole isso? Eu não engulo. Não dá para tragar que a gravidez da princesa seja assunto para mais de um mês nos programas televisivos, que a atriz “fulana de tal” está saindo com o toureiro “fulanito de jerez” que e isso seja tema de conversas na hora da janta. Só rindo.
Vamos a ver, voltando à vaca fria porque isso tudo já é outra discussão. Como dizia, o problema do terrorismo é muito mais denso e complexo do que eu e você possamos pensar ou ter bagagem para discutir. Então não se discute? Claro que sim, se discute, se diverge, mas também dever-se-ia tentar pelo menos que essas discussões não estivessem baseadas em tanto senso comum.
Vamos tentar então dar um pouco de base para pensarmos.
As origens da organização ETA encontram-se no grupo de universitários EKIN (“empreender”, em euskera, vasco), fundado em 1952. A partir de 1953, o grupo toma contado com a sessão jovem do Partido Nacionalista Vasco, Euzko Gaztedi (EGI). Em 1956 os grupos se fundem, mas em 1958 divergências internas levam ao racha da organização, já que ETA defende uma ação de “resistência vasca”. Os principais pontos de seu programa, definido numa assembléia em maio de 1962, são: o “regeneracionismo histórico”, ao considerar a história do povo vasco uma construção nacional (interessante....); a definição da “nação” vasca através da LÍNGUA, o euskera, em vez de uma “etnia ou raça” (como defendia então o PNV); sua definição como laicos (contrastando com o catolicismo do PNV); a defesa da independência de Euskadi ( País Vasco).
Bem, antes que alguém diga, afirmar que ETA é marxista ou leninista é dar prova cabal de uma profunda ignorância político-teórica, então não me venham com essa, por favor. Leiam O Capital primeiro, e pelo menos três livros de Lênin antes de dizer a besteira. Deixando bem clara esta parte vamos aos princípios da organização, que são pra lá de interessantes. Se conhecemos algumas das obras essenciais para discutir hoje qualquer aspecto que englobe os termos “nação”, “território” ou “povo”, como são Comunidades imaginadas de Benedict Anderson ou Culturas híbridas de Nestor García Canclini, ou ainda O lugar da cultura de Homi Bhabha, poderemos falar melhor da questão, sem cair tanto no perigoso e já citado senso comum.
Essas obras nos dão pistas e chaves importantíssimas quando nos vemos perplexos diante da diluição de fronteiras, da falta de uma definição consensual sobre o que é uma “nação” ou um “território”. Os mais conservadores dirão “mas como??, uma nação é um país, ora pitomba!”. E eu digo: “É senhor??” “Então como se explicam os conflitos, por exemplo os espanhóis, quando há pelo menos três idiomas oficiais em várias partes do país, quando a idiossincrasia dos habitantes os diferencia tanto ao ponto de haver propostas separatistas em pleno século XXI??” Se existem tais questões é porque precisam ser debatidas, é porque é preciso debruçar-se sobre elas e deixar de lado de uma vez por todas os conceitos bolorentos, que não servem mais. Refazer as definições, as concepções de mundo e de território? E por quê não? Tantos deles urgem ser questionados... América Latina, América do “Norte”, América em si.. e Espanha também.
Bom, voltando à vaca fria e em greve de fome (agora não mais), o que ETA tem a ver com isso? Tudo. É sintomático e profundamente interessante que definam sua pátria através da língua (me lembra até Caetano, “minha pátria é minha língua”, mas Caetano não é terrorista, pelo amor de Deus!:-), esta concepção é antiga na verdade, mas hoje retoma-se como uma forma mais de reivindicar algo que foi perdido, que não pode deixar-se no olvido. Cataluña também reivindica seu idioma e nada mais justo, língua é história, e não dá para impor língua, senhores, os romanos já sabiam disso...

Mas bem, agora me dirão que são eles que querem se impor. Tudo bem, concordo, pois nessa história ninguém está fazendo a coisa certa, nem um nem outros.
E nesta altura do campeonato me perguntarão: mas você está defendendo o terrorista, a organização, os separatistas? Se realmente me perguntam isso é porque não entenderam nadica de nada... O que defendo é um debate mais profundo, menos senso comum, menos discussão de vizinhos, menos bobagens sem sentido. Claro que quem mata inocentes tem que receber sansões sociais. Claro que chantagens públicas não podem ser métodos de luta alguma. Claro que o terrorismo é abominável e inaceitável em qualquer situação (e aqui diferencie-se bem revolução, guerrilha, e outros métodos, que não tem nada a ver com terror).
Mas defendo, acima de tudo uma certa justiça mais complexa e que não passa por essa que está vigente.
Bethania Guerra.

Madrid, 8 de março de 2007

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Thu, 08 Mar 2007 15:52:49 +0100