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Crónicas de una conquista al revés
"Fragmentos de una carioca en Madrid"

Categoría: Política y Sociedad

18/05/2009 GMT 1

Otra palabra enorme.

bethaniaguerra @ 11:57

Hoy Beatriz está triste. Se ha despertado calladita, las palabras enormes que antes poblaban su lengua y su cerebro estaban mudas. Tal vez no totalmente mudas, sino tímidas, apretadas, anonadadas. Todas eran pequeñas frente a la falta que ella sentía. Mario no estaba.
O quizás, sí estuviese. Pero no aquí. Se había hecho grande, demasiado grande para lo que este mundo podía soportar.
Hagamos un minuto de silencio. Pero sólo uno. Porque el mejor homenaje al poeta seguramente no es callarse. Que las palabras sean enormes, que pueblen bocas, corazones, naciones, que rompan fronteras y consciencias.
Ha muerto Benedetti.

                                       Bethania Guerra. 18/05/2009

_________________________________________________________________

Del escritor urugayo Mario Benedetti:

Beatriz ( Una palabra enorme)

Libertad es una palabra enorme. Por ejemplo, cuando terminan las clases, se dice que una está en libertad. Mientras dura la libertad, una pasea, una juega, una no tiene por qué estudiar. Se dice que un país es libre cuando una mujer cualquiera o un hombre cualquiera hace lo que se le antoja. Pero hasta los países libres tienen cosas muy prohibidas. Por ejemplo matar. Eso sí, se pueden matar mosquitos y cucarachas, y también vacas para hacer churrascos. Por ejemplo está prohibido robar, aunque no es grave que una se quede con algún vuelto cuando Graciela, que es mi mami, me encarga alguna compra. Por ejemplo está prohibido llegar tarde a la escuela, aunque en ese caso hay que hacer una cartilla mejor dicho la tiene que hacer Graciela, justificando por qué. Así dice la maestra; justificado.
Libertad quiere decir muchas cosas. Por ejemplo, si una no está presa, se dice que está en libertad. Pero mi papá está preso y sin embrago está en Libertad, porque así se llama la cárcel donde está hace ya muchos años. A eso el tío Rolando lo llama qué sarcasmo. Un día le conté a mi amiga Angélica que la cárcel en que está mi papi se llama Libertad y que el tío Rolando había dicho que era un sarcasmo y a mi amiga Angélica le gustó tanto la palabra que cuando su padrino le regaló un perrito le puso de nombre Sarcasmo. Mi papá es un preso, pero no porque haya matado o robado o llegado tarde a la escuela. Graciela dice que papá está en libertad, o sea está preso, por sus ideas. Parece que mi papá era famoso por sus ideas. Yo también a veces tengo ideas, pero todavía no soy famosa. Por eso no estoy en Libertad, o sea que no estoy presa.
Si yo estuviera presa, me gustaría que dos de mis muñecas, la Toti y la Mónica, fueran también presas políticas. Porque a mi me gusta dormirme abrazada por lo menos a la Toti. A la Mónica no tanto, porque es muy gruñona. Yo nunca le pego, sobre todo para darle ese buen ejemplo a Graciela.
Ella me ha pegado pocas veces, pero cuando lo hace yo quisiera tener muchísima libertad. Cuando me pega o me rezonga yo le digo Ella, porque a ella no le gusta que la llame así. Es claro que tengo que estar muy alunada para llamarle Ella. Si por ejemplo viene mi abuelo y me pregunta dónde está tu madre, y yo le contesto Ella está en la cocina, ya todo el mundo sabe que estoy alunada, porque si no estoy alunada digo solamente Graciela está en la cocina. Mi abuelo siempre dice que yo salí la más alunada de la familia y eso a mí me deja muy contenta. A Graciela tampoco le gusta demasiado que yo la llame Graciela, pero yo la llamo así porque es un nombre lindo. Sólo cuando la quiero muchísimo, cuando la adoro y la beso y la estrujo y ella me dice ay chiquilina no me estrjes así, entonces sí la llamo mamá o mami, y Graciela se conmueve y se pone muy tiernita y me acaricia el pelo, y eso no sería así ni sería bueno si yo le dijera mamá o mami por cualquier pavada.
O sea que la libertad es una palabra enorme. Graciela dice que ser un preso político como mi papá no es ninguna vergüenza. Que casi es un orgullo. ¿Por qué casi? Es orgullo o es vergüenza. ¿Le gustaría que yo dijera que es casi vergüenza? Yo estoy orgullosa, no casi orgullosa, de mi papá, porque tuvo muchísimas ideas, tantas y tantísimas que lo metieron preso por ellas. Yo creo que ahora mi papá seguirá teniendo ideas, tremendas ideas, pero es casi seguro que no se las dice a nadie, porque si las dice, cuando salga de Libertad para vivir en libertad, lo pueden meter otra vez en Libertad. ¿Ven como es enorme?

                                      Mario Benedetti. Primavera con una esquina rota.

17/05/2009 GMT 1

Viva 13 de maio!

bethaniaguerra @ 12:21

Salve os pretos-velhos, salve Zumbi, salve o Brasil. Viva minhas raízes!!
Que as mais diversas formas de opressão e dominação sejam combatidas! Que a escravidão que ainda resiste em muitas partes do mundo, em todas as suas facetas, física, moral, espiritual, ideológica, veja o seu fim, pelas mãos dos que lutam pela justiça.
Façamos nossa parte, seja educando, militando, conscientizando!
Assim seja.

08/03/2009 GMT 1

Se não vou à Nicarágua, a Nicarágua vem até mim...

bethaniaguerra @ 19:54



Ernesto en Casa de América

       Depois de Gioconda Belli, no dia 25 de fevereiro recebi um outro presente, dessa vez gigante. Conheci Ernesto Cardenal!! Ele veio dar uma palestra na Casa de América, e eu soube um dia antes, uma sorte.  Foi muito emocionante, ele está bem velhinho, 84 anos eu acho, e chegou de sandália de couro (com o frio que está fazendo aqui!), boina, cabeça branquinha. Andando devagarzinho. Simples que ele só. E lindo.  Tinha acabado de chegar de Managua e foi direto para a Casa de América. Falou sobre poesia, revolução, metafísica,  humanismo... tudo ao mesmo tempo.


       O título da palestra era “Somos polvo de estrellas”. A princípio tinha sido anunciado que seria um tema político, e o título era outro, “Niaragua tan violentamente dulce” (o mesmo de um poema que o Cortázar escreveu na época da revolução sandinista ), mas ele mudou na última hora. O homem está comendo o pão que Somoza amassou na Nicaragua. Com a volta de Daniel Ortega ao governo, o que parecia que poderia ser uma nova vitória sandinista não chega nem perto disso. Há tempos Ortega já não representa o Sandinismo que Cardenal e Gioconda Belli defendiam (por isso mesmo eles fazem hoje parte de outro movimento, junto com outros intelectuais - MRS, Movimiento de Renovación Sandinista). Bem, o Daniel Ortega “ressucitou” um processo judicial de muitos anos atrás, contra  Cardenal, no qual ele foi acusado de calúnia e difamação a um empresário alemão. Não sei muito bem os detalhes, mas Ernesto contou que esse alemão fez “estragos” em Solentiname e que ele denunciou, claro. Então agora Ortega retoma essa processo e condena Cardenal (antes ele tinha sido absolvido!).  A pena era prisão, mas por causa da idade não puderam prendê-lo. Cardenal ficou um tempo em prisão domiciliar e continua sofrendo represálias, teve as contas de email grampeadas e as contas bancárias bloqueadas. Dois dias antes de vir à Espanha confiscaram o computador de dentro da casa dele. Inacreditável.

         E isso foi o máximo que ele pôde contar, porque disse que se continuasse falando ia sofrer ainda mais. Uma tristeza. A palestra foi linda, mas contida, cheia de “entrelinhas”. Ele é um senhor de idade, com as suas manias, não gosta de pousar para foto, nem coloca dedicatória pessoal nos livros... ( pelo menos não na maioria). Tentei tirar uma foto com ele, mas não teve jeito. Coloco aqui o que mais ou menos consegui. Mas o que importa é ter podido vê-lo.

       Um padre que continua declarando-se comunista: “¡Fui, soy y seré comunista!” e que respondeu assim à pergunta do meu amigo venezoelado, Luis Carlos, sobre qual a sua relação com Chaves: “Cuestiono muchas cosas que Chaves está haciendo, ¡pero soy Chavista! ¡Por la revolución Bolivariana!”Ele não precisa, como outros, fazer média com ninguém. Ele está sofrendo no seu próprio país, mas continua corajoso, com a cabeça erguida, irônico e doce ao mesmo tempo, claro politicamente, forte, imbatível. Poeta, enfim. Dos que fazem poesia de verdade, cheia de plenitude e estrelas.

        Viva Ernesto!

                                                                                                                 Bethania Guerra. 

01/02/2009 GMT 1

Obama é o bicho

bethaniaguerra @ 15:25

         Pode ser que minhas impressões estejam matizadas pela esperança e a vontade de mudança. Eu sei. Provavelmente vou me arrepender e decepcionar, como todos, nós dentro de alguns meses. Ele não é nenhum Jesus Cristo (ainda que que sua entrada no Capitólio no dia da posse tenha sido montada com um que de Jesus entrando em Jerusalém, ou não? Só faltavam os ramos). Mas hoje, por enquanto pelo menos, eu digo que Obama é o bicho. Estamos todos doidos com esse negão. E não é para menos (além de tudo ele é charmosérrimo, mas isso são outros quinhentos).

         Na solenidade de posse o apresentador pronunciou todo o nome e sobrenomes de Bush, mas curiosamente omitiu o Hussein de Obama. Mas ele não. Fez questão, no juramento de dizer seu nome tão temido. Detalhes? Pode ser, mas não passou desapercebido. Gosto do jeito que ele tem de não esconder o que é óbvio. Ele é descendentes de árabes. E ponto. E isso é um grande trunfo, se ele souber usar, e creio que tem sim inteligência para isso.

          Pode ser piegas, mas me emocionei, e não tenho vergonha de contar, quando ele disse, mais ou menos essas palavras: “um homem cujo pai, há 60 anos, não seria servido em um restaurante, agora está diante de vocês para prestar o juramento mais sagrado. [...] O sonho de Martin Luther King se cumpriu porque o filho desse homem hoje é o presidente dos Estados Unidos. E isso é assim porque todos somos iguais, todos somos livres e merecemos a oportunidade de conseguir a felicidade total.”

           Sei que o tom é muito messiânico. Sei que não somos, nem nunca seremos, todos iguais e livres dentro do capitalismo. Mas mesmo assim, o sentimento de ser negra, e o fato de estar morando longe e cheia de saudade do meu pai negro, (que também viu muitas portas fechadas ao longo da sua vida), a lembrança das palavras de minha mãe branca não me escondendo a verdade, desde pequena, de que eu teria que provar que era melhor duas vezes em tudo, só por ser negra;  me fez sentir emoção e um certo gosto bom de justiça, ao ouvir as palavras de Obama.

           Há uns dois dias o negão deu sua primeira entrevista em cadeia televisiva como presidente. E não foi para o New York Times, mas para Al Arabya, canal com base em Dubai. Tudo bem, pode ser estratégia política, E É, não tenho dúvidas. Mas ele supreende. Disse Obama: “sou descente de árabes, vivi vários anos da minha vida em um país mulsumano. Quero dizer aos mulsumanos que os EUA não são inimigos e aos norte-americanos que entre os árabes há pessoas maravilhosas que só querem o melhor para seus filhos.”

         Sabemos que em muitos aspectos os EUA são sim inimigos. Então é demagogia? Provavelmente. Mas e daí?  Ele tem elementos que, juntos, nenhum outro presidente dos Estados Unidos tinha, tem a experiência real de vida. É negro, decendente de árabes, protestante (será que canta bem? Aí já seria demais! J).

            Ele é diferente, gente, ninguém pode negar. Até o Saramago sabe. Só a coragem desse homem em começar a dizer (e tão rápido) todo o contrário do que se disse até agora, me impressiona. No primeiro dia de governo assinou o fechamento de Guantánamo. No segundo lançou um decreto contra a poluição pelos automóveis. Tudo muito rápido. Até assusta um pouco.

            Ele é muito inteligente, repito, e se conseguir continuar dizendo o que diz, e sobretudo fazendo o que diz... que Deus o proteja e lhe dê guarda-costas perfeitos.   

 

Madrid, 01 de fevereiro de 2008

Bethania Guerra

15/12/2008 GMT 1

Mendigos neoliberales

bethaniaguerra @ 12:45

       Texto escrito originalmente en español, el 28 de noviembre de 2007, Rio de Janeiro, Brasil. Y publicado aquí ahora por motivos que traen estos temas de vuelta a mi corazón.

Mendigos neoliberales  



Hoy, volviendo a casa en el autobús 630, algunas cosas me han llamado la atención.  El transporte pasa por las favelas de Mangueira y Jacarezinho. En Río de janeiro, sea en la zona que fuere, es casi imposible coger un autobús que no pase por una chabola, un barrio muy pobre o alguna comunidad marginada. Aquí, centro y periferia pierden un poco la noción antropo-geográfico.

Es imposible también, en mi ciudad, que pases una semana entrando en autobuses sin que por lo menos en cinco intenten venderte algo. En éste ha habido un desfile de mendigos neoliberales

 

Es un concepto forjado (o repetido) por un antiguo compañero mío, de los tiempos de la licenciatura y del grupo de teatro que creamos para intervenir en una huelga de estudiantes. Germano se llamaba, y decía que el “mendigo neoliberal” es aquel chico, hombre o mujer, que te vende el caramelo en el semáforo, el cacahuete en el tren o el dulce de banana en el autobús. Tan mendigo como el que pide, tan necesitado, olvidado, marginado. Pero ése vende. Tiene un producto, a nuestros ojos, más “digno” que su miseria personal. Miseria que, aunque parezca individual, es tan nuestra como suya. El hecho de que ese niño, hombre o mujer nos ofrezca algo para comprar nos hace pensar, muy neoliberalmente, que estamos cumpliendo nuestra parte, y tanto vendedor como comprador ven en el acto de vender lo que sea, algo más honesto que la mendicidad.

Ha entrado un hombre joven, ropa muy modesta, vendiendo caramelos. Nos contaba que era padre de un niño de 2 meses, enfermo en el hospital, tenía pulmonía. El padre en paro.  No  hemos sabido nada de la madre. Nos ha dicho que si comprásemos el dulce estaríamos ayudando a su niño y no a él, y que no emplearía lo que le diésemos en drogas o bebida. Por eso nuestro dinero (dos paquetes por un real) sería honradamente utilizado, quizás para salvar la vida de un niñito.

Mucha gente se ha llevado caramelos a casa, yo incluida, y probablemente sus conciencias más tranquilas, de lo que yo me excluyo.

Ha entrado otro vendedor, pero su producto eran las mismas golosinas que vendía el anterior, así que no ha tenido tanto éxito, aunque nos contara que era la primera vez que vendía cosas en la calle, que estaba también en paro, y que su mujer había muerto en un accidente.

No importa si las historias eran reales o no. El elemento de la realidad está en otros aspectos, que no dependen de nuestra creencia en aquella verdad o  mentira.

Sin embargo, ha sido el tercer mendigo neoliberal (que quizás no merezca esa nomenclatura tan dura) el que más me ha tocado. Un niño de unos siete u ocho años. Era blanco, casi rubio, pies descalzos, ropa muy sucia, pelo igualmente inmundo, sonrisa puesta. No ha dicho nada. Ha entrado, sorteando  cuerpos y bolsos, y se ha acercado a la primera persona. Pero se ha acercado mucho. La ha abrazado. El niño abrazaba y besaba a cada persona del autobús. Para hacerlo a la que se encontraba sentada en la ventana, casi se tumbaba sobre la otra, y no le importaba. Nos daba dos besos en las mejillas. Tan rápido, tan raro y tan niño, que nadie lo ha rechazado. Después de cada beso nos estiraba su manita, tan pequeña, tan sucia, tan brasileña, esperando las monedas.

Vendía lo único que poseía.

Ese niño, que estaba allí repartiendo besos, vulnerable, endurecido e infantil a la vez, podría, quizás, estar en alguna periferia de México D.F, a las orillas del Río de la Plata en la Boca, pidiendo en la Avenida Paulista o en  Getafe, a las afueras de Madrid, en alguna comunidad latina. Y podría estar porque su sonrisa, sus ojos, su miseria y su grandeza eran extrañamente, terriblemente, latinoamericanos.

América Latina, vocablo, nación, expresión abarcadora o sectarizante, porque es sólo palabra. Depende, como todo, de la comprensión que le demos. Porque cuando deja de ser nombre y adquiere significado de realidad, de dureza, de puñetazo en las buenas y cristianas voluntades, cuando se convierte  ambigua y paradójicamente en niños negros, rubios o indios, igualmente sucios e inmensamente crueles en lo que representan; en pensadores e intelectuales profundos en su hacer teórico y político; en poetas y narradores escandalosamente buenos; en pueblos monumentales como sus pasados y sus presentes,  Latinoamérica se vuelve lo que realmente es. Se nos escapa por entre los dedos, es demasiado grande y demasiado compleja.

El niño olía a cigarrillo. Quizás sólo una de las tantas drogas que consume o consumirá para olvidarse, para no tener que acordarse de lo que podría y de lo que nunca podrá ser. Quizás su padre sea muy parecido al primer vendedor. Quizás no haya tenido nunca padre. Quizás haya estado enfermo de pulmonía. Quizás se haya muerto. Quizás se muera en la próxima esquina. Quizás alguien se acuerde de sus besos. Pero de nada sirve sólo acordarse.

Su olor se me ha pegado. No creo que deje de sentirlo jamás. Y no lo quiero.  

Bethania Guerra

                                                                   Río de Janeiro, 28 de noviembre de 2007

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20/11/2008 GMT 1

en la calle

bethaniaguerra @ 14:09

Morar na rua é terrível em qualquer canto do mundo: morador de rua no Rio, com as incipientes enchentes de verão, dormir molhado, com fome e sede; nas ruas de Madrid, com o frio que já começa a fazer, 3, 2 graus de madrugada, e o frio dos semelhantes, que  pode ser ainda maior. Em sua maioria aqui são imigrantes adultos, sobretudo homens, há poucas mulheres porque elas vêm menos (geralmente os homens viajam primeiro prometendo “buscar a família” depois, o que muitas vezes não acontece); negros africanos (subsaharianos, como está na moda dizer aqui, mesmo que venham de outras partes da África...).  Também romenos, ciganos ou não (em geral são ciganos realmente).  E entramos em outro tema.Ando pensando estes últimos dias, que no Brasil a maioria dos “amantes do povo cigano” não tem a mínima idéia da real dimensão do problema cigano na Europa. As chamadas “festas ciganas”, glamourosas no Rio e em São Paulo (sobretudo, e muitas vezes com um pobre ou falso glamour, mas ainda assim glamourosas – mas não é a própria palavra glamour matizada pela falsidade?), são um simulacro capenga de algo que não existe. Tais celebrações, das quais participei e participo (não me eximo do problema, claro esteja) só teriam sentido se estivessem baseadas em um trabalho verdadeiro de pesquisa e divulgação das danças, costumes e problemáticas (porque não) dos povos ciganos. E mais. Se parte da renda obtida (de preferência toda) fosse destinada a projetos de ajuda humanitária e social para populações ciganas na Romênia ou de grupos ciganos favelizados na Espanha. Sei que muitas das festas são beneficentes, e o dinheiro vai para instituições filantrópicas. Mas porque não beneficiar os próprios motivos da festa, que precisam tanto, e cada vez mais?

22/10/2008 GMT 1

Miedo

bethaniaguerra @ 22:56

En España hay un miedo raro a asumir los errores. Todo ese debate sobre la memoria histórica por ejemplo. Borrar la historia no borra los muertos, ni sus desapariciones. Las heridas no se pueden cerrar echándole tierra encima.

Otra cosa que me llama mucho la atención y también tiene que ver con ese miedo, es la dificultad que tienen los medios a decir las palabras "asesino", "violador", etc. Le pillan al hombre con el cuchillo en la mano, la ropa llena de sangre, confesando el crimen, y la mujer muerta en el suelo, pero la notica es "presunto asesino de la mujer...." ¿Cómo que presunto? Vale, hay que esperar las investigaciones. Pero el caso es que aún cuando ya se ha investigado, confesado, en muchos casos sigue el miedo a la palabra. A dar nombre a los hechos. El que más asco me dio fue uno que vi en la tele el otro día. Una chica estaba en el hospital, entre la vida y la muerte, habiendo sido violada por tres "presuntos".
¡Por favor!

22/10/08
Madrid.

sonrisa callejera

bethaniaguerra @ 22:48

Aquí siento el impulso de sonreir a desconocidos. Sobretodo a mujeres negras inmigrantes, con o sin niños. Es como si con mi sonrisa puediese ejercer algún tipo de solidaridad latinoamericana callejera, que sin duda no cambiará la vida de nadie, pero quizás pudiese crear un simulacro de comunión durante pocos instantes. Lo he hecho algunas veces. Y la recíproca no es verdadera en la mayoría de los casos. No recibo de vuelta la sonrisa. Creo que hay algo en el aire, una desconfianza peninsular que se pega con el tiempo a las almas. Ojalá no me pase jamás.

22/10/2008.
madrid

29/05/2007 GMT 1

Noticias 2

bethaniaguerra @ 14:54

   

     Provenientes da Costa do Marfim, 26 africanos esperam neste momento uma permissão do governo espanhol para sair do mar. A patera na qual viajavam naufragou no Mediterrâneo,  entre Malta e Líbia,  e nem um nem outro país permitiu que as pessoas desembarcassem em seus portos.  Malta é o porto mais próximo da União Européia e a Libia é  país responsável pelo salvamento e pelo resgate naquelas águas."São obvios imigrantes ilegais, sem papéis", é o motivo.   

       A situação é surreal.

 Os africanos levavam já 3 dias no mar, correndo o risco de afogamento. No primeiro dia comeram maçãs, e depois nada mais.   No sábado passado pela manhã marinheiros espanhóis os resgataram, mas há três dias esperam o aviso do governo, pois sem ele não podem trazê-los à terra. Os marinheiros usaram uma rede gigantesca, empregada nas grandes pescas de atum (pois nos barcos não havia lugar para todos). Esperam  no meio da água, estes indesejados também por outros países europeus, seu platônico destino.

   É tudo muito triste. Na sexta-feira os náufragos tentaram que os marinheiros os levassem, mas estes, que estavam trabalhando e não tinham espaço suficiente para tantas pessoas, a princípio se negaram, mas pensaram que de desssem ajuda os africanos poderiam continuar a viagem em seu próprio barco, ofereceram  então maçãs, água e gasolina. Mas os imigrantes continuaram por perto. Na manhã do dia seguinte os marinheiros descubriram que a patera já havia afundado, e que os africanos não tinha dito nada talvez por um misto de motivos, medo, vergonha, pavor. Foi então quando decidiram resgatá-los.

     Este tipo de situação não é nova, no mês passado outro caso similar ocorreu e italianos prestaram ajuda a outros náufragos africanos, também da Costa do Marfim. Mas o auxílio continuará sendo somente deste tipo? O ministro do interior maltês diz que "faz muito mais do que deveria". Será mesmo? A responsabilidade não é deles? Discordo. Todos somos reponsáveis, sem exceção. Se nosso sitema de mundo, de economia, de coisas, chegou a este ponto, tudo está MUITO ERRADO.

 Não se pensará seriamente sobre isso?

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01/05/2007 GMT 1

Noticias

bethaniaguerra @ 19:25

    Hoje estava comentando com o Juan sobre a falta de conhecimento que em verdade paira sobre nós no país continente chamado Brasil. Excetuando uns poucos escolhidos, que por terem batalhado muito conseguiram fazer uma universidade, que pensam sobre o situação social mundial (?) que tem preocupações políticas, que lêem, que têm acesso à internet, que tem grupos de amigos que discutem temas relevantes, tirando estes grupos, que são poucos realmente (e que não necessariamente possuem todas estas "qualidades”),a grande maioria do povo brasileiro não sabe o que acontece no mundo. 

    As notícias não chegam no Brasil. Infelizmente não é exagero. Não sabemos o que ocorre no Oriente Médio ( que aqui é Oriente Próximo...), não sabemos que a cada dia a história dos navios negreiros se repete uma ...

 ... e outra vez nas costas Canárias. Não sabemos o que é um cayuco, uma patera. Quem são os Latin Kings? Infelizmente não é uma banda de salsa. Mas como saber, se também não nos chegam as notícias da imigração massiva de equatorianos rumo às terras peninsulares, se não sabemos que na Colômbia as agências de viagem incluem, falsamente, em suas promoções, uma nova passagem de tentativa se te deportam no aeroporto de Madrid.

    Os cayucos, caros compatriotas, são a versão moderna do que cantou Castro Alves e dezenas de africanos morrem todos os meses tentando chegar à Europa, os Latin Kings são grupos de jovens latinos que organizam sua delinqüência desesperada numa luta identitária violenta, torta e capenga.

    Mas se não sabemos (e me incluo porque apesar de estar aqui e de “saber”, essa condição sempre será efêmera, mas minha brasilidade e  o problema de que falo são constantes), é porque não nos dizem, porque nossos telejornais não dedicam nem um terço do seu tempo às questões internacionais, e nem sequer sabemos o que acontece nos países vizinhos.

    Talvez também não saibamos porque não procuremos saber, porque nos acomodamos sendo essa minoria privilegiada e discutindo nossas intelectualidades no Amarelinho. Ou porque nos organizamos em partidos políticos utópicos e fazemos uma luta ineficaz, porque nos acostumamos a ver as crianças nas ruas e a saber que elas jamais farão parte desta elite do pensamento. Porque escrevemos nossas teses e depois as colocamos na estante. E me incluo, te incluo. É barra. Não sei qual é o caminho, mas hoje, pensando nisso, muitos atos nossos pareceram-me inércia.

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